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Perfis de cor, o que são e para que servem?

Toda imagem  RGB pode ser  codificada em  256 ou 32.769 níveis por  canal.O que  um espaço de cor faz é organizar  esses níveis dentro de um  espectro visível, ou da quantidade de cor   que   podemos   enxergar.  Ou   seja,   o   espaço   de   cor   determina   a   quantidade   de   cor   que podemos   abranger   com   a   informação   disponível.  Existem   milhares   de   espaços   de   cor,   mas atualmente nós fotógrafos trabalhamos a maior parte do tempo apenas com dois:

Adobe RGB (1998)

 

Um     dos   mais    utilizados   pelos   fotógrafos,   principalmente      em   imagens     que   serão impressas em   gráficas ou   inkjets como   a   HP   Z3100.   Com   uma   gama   de   cores relativamente grande, engloba as cores da impressão offset e grande parte das cores possíveis com inkjet. Este perfil  foi desenvolvido pela Adobe exatamente com  o propósito de ser   um  espaço de cor compatível com a impressão baseada em tintas.

sRGB

 

É   o   segundo   espaço   de   cor   mais   utilizado.   Desenvolvido   pela   Microsoft   e   HP   para representar     a  capacidade      de  reprodução     de   cores   de  um   monitor    CRT    (tubo),  acabou    se mostrando      também      o  mais   adequado     para   impressões      em   minilabs  (que   usam     emulsões químicas gravadas por laser no lugar de tinta). Menor     que   o   Adobe   RGB,    tem   como    característica   ser   bastante   adequado      para  a visualização     em    websites,    apresentações      multimídia,    impressões      em   minilabs   e  uso   em aplicativos que não possuem gerenciamento de cores, mas exibem arquivos em RGB. Você já deve ter percebido pelas imagens acima que o sRGB guarda pouca informação sobre   verde   e   azul,   enquanto   o   Adobe   RGB   já   consegue   gerenciar   melhor   as   informações nesses tons. Se você já fotografou algum  show ou apresentação com  iluminação colorida deve ter  percebido que ao  fotografar  em  sRGB o  canal  vermelho ‘estoura’  com  grande facilidade, e mesmo em RAW você nem sempre consegue recuperar o tom original da foto.

Por    esse   motivo    algumas    pessoas     dizem   que   o  perfil  sRGB     teria  dois  canais   de vermelho,   o   que   já   vimos   não   é   verdade,   o   perfil   apenas   não   guarda   informações das cores opostas     ao   vermelho,    que    são   o  azul  e   o  verde,   necessárias     para   contra-balancear      as informações.

Configure em sua Nikon

 

Agora     que   já  entendemos      o  funcionamento      básico   de   um   perfil  de  cor,  podemos esclarecer outras formas de utilizá-los, como por exemplo na calibração do monitor. Afinal, nada mais frustante do que trabalhar  horas a fio  para deixar suas fotos lindas, e quando imprimir ou passar por email ela estar completamente destruída.

Quem   já   visitou   qualquer   loja   que   venda   eletrônicos   provavelmente   parou para   ver   a parede de televisores. Gigantes de plasma, projetores e simpáticas tvs de 14 polegadas, todas sintonizadas na mesma novela, ou no mesmo dvd. Você     já  parou   para   pensar    no  porquê    disso?   Como     a  mesma      imagem     pode   ser interpretada de maneiras diferentes por aparelhos diferentes? Os monitores emitem  luz em porcentagens contraladas de vermelho, azul e verde para reproduzir as cores das imagens em  pequenos pontinhos, os nossos amigos pixels. Mas como temos   essas   variações   de   cores   se   todas   as   tvs   estão   recebendo   o   mesmo   sinal   vindo   da mesma emissora ou do mesmo aparelho de dvd?

Simples, porque assim  como as pessoas, nenhum  dispositivo é igual  a outro. Até dois monitores de   uma   mesma marca   e   modelo podem   apresentar   um   azul   ligeiramente   diferente, simplesmente       por  serem    dois   exemplares     fisicamente    distintos.  Os   colorantes   usados     para determinar o vermelho, o azul e o verde podem ser ligeiramente diferentes, o que já é suficiente para que as cores não casem.

Configure em sua Canon

 

Uma das grandes limitações dos sistemas de cores é que eles apenas descrevem  um ‘receita’ de cor, mas não a aparência exata. Que cor é R0 / G218 / B0 ? Verde, mas o tom exato de verde vai depender  do monitor. O que nos deixa sem referência, em  frente a uma parede de televisores. Mas então   ser   cada   monitor   tem   um   RGB levemente   diferente,   como   fazer   para   as imagens terem as mesmas cores em  vários monitores diferentes? Aí entra em cena a calibração através de um colorímetro. Basicamente o colorímetro mede a intensidade dos padrões RGB de um  monitor e cria um  perfil específico para monitor. Esse colorímetro percebe que o               verde do meu monitor é R0 /G218  /  B0   (comparando com   um   banco   de dados interno, esses valores são   os que fazem   o verde do meu monitor  ficar  igual  ao verde padrão do colorímetro) e que  no monitor do lab que imprimo o verde é R0 / G223 / B3.

Assim  o colorímetro  gera  um  perfil  que  o computador  salva como um  arquivo .ICC (o mesmo que algumas placas de vídeo trazem  nos dvds de instalação) com  as informações para quando   você   levar   suas imagens para   outro computador,   basta   levar   junto seu   perfil   ICC que você terá os mesmos resultados.

Então ser você quer que as fotos que você trabalhou por tanto tempo para ficarem  com as cores perfeitas sejam  impressas exatamente iguais, o melhor que você pode fazer é ir no lab que você faz suas impressões e pedir o perfil de cores da impressora que eles usam.

Configure no Lightroom 3

 

Se você já instalou   uma   impressora   na   sua   casa   deve   saber   que   nas   opções   de   impressão   você   pode escolher o tipo de papel, gramatura e outras firulas. Para cada uma dessas diferentes opções a impressora tem  um  perfil de cor diferente, porque em  cada situação a tinta é absorvida pelo tipo de papel de forma diferente, e quando uma tinta seca a cor fica levemente diferente. Sabendo a marca e modelo da impressora do seu lab, você pode procurar os perfis de cores na internet, ou até mesmo no próprio site do fabricante. Então quando você já sabe qual impressora      e  qual  tipo  de   papel   vai  usar  para   o  trabalho   final,  você  vai  nas   opções    de visualização do  seu  monitor  e usa o perfil  adequado, e quando você imprimir  as fotos terão as cores exatas que você tanto trabalhou para alcançar.

Bom     pessoal,    por  enquanto     é  só.  Este   artigo  é  uma    breve   explicação    sobre   as diferenças entre os perfis de cores, e como eles influenciam  na imagem  final. Claro que o tema é muito mais complexo, temos outras várias considerações, mas basicamente  já  conseguimos entender     a  importância    de  escolher    o  perfil  certo  já  no  momento    da   captação    para  evitar imprevistos na hora da pós, e como um monitor calibrado de acordo com o modo de impressão vai fazer  com  que tanto trabalho em  busca das cores perfeitas não vá por  água abaixo na hora da impressão e você tenha que refazer tudo.

Créditos ao @Mahasiah pela iniciativa de estudar sobre o assunto e compartilhar conosco no @corujao_online.  Até o próximo artigo!

Bananafoto

6 comentários

  1. Excelente post, acabei de comprar um colorimetro e agora entendi como o mesmo funciona! Obrigado

  2. Mas o RAW não possui informação de perfis de cores.. o lightroom incorpora o PhoPhoto RGB quando uma foto é importada.. ou estou enganado?
    abraços!

  3. Apenas um adendo:

    O artigo é interessante por explicar o que são os perfis de cores, porém não é necessário escolher na câmera o espaço Adobe RGB (ou sRGB) se for salvar em RAW. Isto só se aplica para saída em JPEG/TIFF direto da câmera, uma vez que o RAW não faz clipping para nenhum espaço de cor em específico, tanto que o LR pode ignorar solenemente o ajuste que você fez na câmera (p.ex. AdobeRGB) e na ingestão dos arquivos abrir o RAW no espaço de cor para o qual foi configurado (p.ex.: ProPhoto RGB ou sRGB) sem qualquer perda de informação ou cor.

    Tanto que no LR temos a opção de escolher o espaço de cor desejado para a imagem RAW, que inclui tanto o Adobe RGB quanto o sRGB além de outros espaços. Portanto, esta passagem no final do texto: “mas basicamente já conseguimos entender a importância de escolher o perfil certo já no momento da captação para evitar imprevistos na hora da pós” só se aplica a quem fotografa em JPEG ou TIFF direto da câmera.

    Abs.

  4. Gostei do artigo. Muito boas as explicações, de forma simples e direta para os que nunca tinham lido nada a respeito. Só tenho a agradecer.

    Agora fiquei curioso sobre a utilização dos colorímetros. Vcs bem que podiam fazer um artigo sobre eles citando, inclusive, as melhores marcas e como usá-los de forma prática e funcional.

    Abraços,

    Sérgio

  5. Parabéns! Artigo muito importante para aqueles que estão procurando melhorar a qualidade das suas fotos.

    Queria enfatizar a proposta do amigo acima (Sergio). Seria legal um artigo explicando sobre a utilização dos colorímetros. Bem como, a indicação dos monitores mais adequados para edição de imagens.

    Queria agradecer pela sua dedicação em repassar seu conhecimento de forma tão solidária.

    Abraços,

  6. Ricardo Evangelista

    Ótimo artigo, parabéns!
    Comprei recentemente um monitor da Dell modelo u2410, um bom monitor para tratamento de imagens. Ele tem o tamanho diferente 16×10 – 1920×1200, tela IPS já wide-gamut e paralelamente comprei o colorímetro da x-rite modelo i1Display Pro. Tudo perfeito, mas como os amigos acima Sergio e Paulo sugeriu, um artigo falando sobre o assunto em detalhe Monitor x Calibrador, pois eu com meus brinquedos aqui tenho tido muita dificuldade na hora de calibrar e aceito dicas dos amigos! Abraços a todos, Ricardo.

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