Capa » ARTIGOS » Dicas, Técnicas & Tutoriais » O uso de DSLRs no Cinema

O uso de DSLRs no Cinema

Muito se tem falado sobre o uso de DSLRs (como 7D e 5D Mark II) na produção cinematográfica. Esse artigo tem o objetivo de fazer um levantamento sobre as vantagens e desvantagens do uso desse equipamento na produção de um filme.

Acredito que não seja novidade para ninguém que a grande vantagem das DSLRs, em relação as filmadoras comuns, é a possibilidade criativa que se consegue, graças a facilidade de troca de lentes. Mesmo com uma simples lente 50mm já é possível conseguir imagens magníficas, tudo isso em Full HD, para melhorar ainda mais. Outra vantagem que eu considero é a portabilidade de uma DSLR, são equipamentos menores, mais leves, não chamam tanto a atenção, o que faz diferença em um filme com muitos figurantes por exemplo, poucos vão querer dar aquela olhada para câmera no fim da tomada de uma cena, tendo que repetir tudo de novo.

Canon T3i

Canon T3i (foto retirada do site Gizmodo Brasil)

Claro que não poderia faltar o quesito preço. Hoje, você consegue comprar uma Canon T3i (excelente para quem quer começar a gravar vídeos com DSLR) por “apenas” R$ 3300,00 (rev: Consigo), considerando o mercado formal, com um pouco de pesquisa você consegue um preço melhor. Em comparação uma filmadora Full HD não sai por menos de R$ 5000,00, veja como exemplo a AG-AC7P, da Panasonic, sendo ela uma câmera mediana e que grava em AVCHD (acredite ou não, você terá boas dores de cabeça para editar) e a lente é fixa.

Mas enfim, se elas apresentam todas essas vantagens, por que cargas d’água Hollywood ainda não está usando em massa as DSLRs? A resposta vem logo abaixo, e acredite, não são poucas as desvantagens.

Começarei falando sobre a pior de todas as desvantagens (em minha opinião). As DSLRs (falo da maioria, se não todas) não conseguem gravar mais do que 12 min contínuos de vídeo em Full HD, um grande problema para documentários ou cenas longas. Outra grande desvantagem é o áudio. O microfone das câmeras capta muitos ruídos, muitos deles da própria câmera, sendo obrigatório o uso de um microfone externo, mas entramos em outro problema, as DLSRs não tem conexão XLR (http://en.wikipedia.org/wiki/XLR_connector – site em inglês, mas vale a pena dar uma conferida), a não ser através de um acessório, e muitas não tem o controle desse microfone (como está o nível do áudio, se está captando o áudio). E diga adeus também ao uso de microfones condensadores (http://www.musicaudio.net/gratis/microfones/index.htm – bom artigo introdutório sobre microfones).

DXA-5D

Acessório DXA-5D para 5D Mark II, com o plug XLR (foto retirada do site Expandore)

Temos mais um ponto negativo para as DSLRs, sua péssima ergonomia e estabilidade para vídeo, em alguns casos sendo obrigatório o uso de equipamentos estabilizadores (http://www.merlinvideo.com.br/suportes-para-camera/suporte-estabilizador-shoulder-oem.html), mas este não é tão sério, com um pouco de criatividade resolvemos esse problema. (veja essa dica: http://www.bernabauer.com/como-fazer-uma-steadycam/).

Mas calma, não é para já ir vendendo sua DSLR e comprar uma filmadora de R$ 15000,00. Uma coisa que um professor me ensinou bastante na faculdade foi: “saiba usar o máximo do seu equipamento”. É simples, quer começar a trabalhar com vídeo, compre uma T3i sem pestanejar e, ao entender as limitações dela, use-a com sabedoria e você terá trabalhos fantásticos. Em resumo, tenha o pé no chão e faça sempre o melhor trabalho ao seu alcance! Eu mesmo quero muito ter uma T3i para fazer cenas de transição, como brincadeiras com profundidade de campo, fazer planos DET (plano de detalhes), entre muitas coisas.

Mas dentro de uma produção cinematográfica ainda é complicado usar 100% de DSLRs, devido a essas complicações, que podem acabar comprometendo o orçamento do filme. Em curtas-metragens até é possível usar unicamente uma DSLR, mas em médias e longas ainda não é viável.

Por fim, foi pensando nisso tudo que Sony e Panasonic lançaram recentemente filmadores com lentes intercambiáveis com um preço mais acessível. Basicamente são DSLRs realmente voltadas para a produção de vídeos. Unindo a capacidade criativa das DSLRs com as facilidades de uma filmadora. Confira nos links abaixo um breve descritivo de ambas as filmadoras:

Sony NEX-FS100NK

Panasonic AG-AF100

Aputure

4 comentários

  1. Marcelo,
    as DSLRs tem diversos problemas conhecidos. Dentre eles o que você mencionou. Eu adicionaria outros problemas que a meu ver são mais pertinentes;
    . compressão do vídeo (os arquivos h264 são muito comprimidos, comprometendo a qualidade do arquivo final, complicando tratamentos de imagem e toda a pós produção)
    . o problema do rolling shutter, causado pelo tamanho do sensor e velocidade de processamento da camera. As imagens em PANs acabam ficando com um efeito de Gelly Shot (as linhas verticais ficam diagonais, entortando toda a imagem)
    . A falta de autofocus – um problema maior em documentários, e menor em publicidade e cinema.
    . Monitoramento. Quando vc dá saída de vídeo pra monitoramento externo, as cameras desligam o LCD.
    . Tirando a 7D todas as outras cameras quando estão gravando não dão saída em HD, prejudicando o monitoramento e o foco remoto.

    Sobre as qualidades eu faria um adendo sobre as lentes. Não é simplesmente o fato das lentes serem intercambiáveis que torna essas cameras sensacionais. Pois, com uma lente zoom vc tem muito mais possibilidades do q com uma lente fixa. Mas as lentes fixas, aliadas ao tamanho dos sensores (full frame na 5D) diminuem a profundidade de campo, fazendo aquelas lindas imagens com fundo desfocado.

    Você foi um pouco contraditório ao dizer que o áudio é o que torna complicada a utilização dessas cameras em sets de cinema, sendo possível usa-las em produções pequenas e não nas grandes. Em mega produções – ou qualquer média produção, pra esse quesito – o áudio já é captado separadamente. Existe um profssional responsável exclusivamente por isso, com gravador próprio e tudo. Depois de gravado áudio e vídeo são “sincados”… por conta disso, inclusive que se bate a claquete! ;) – facilitar esse sinc na pós. E pra isso, o áudio das DSLRs são mais do q suficientes. Esse problema do áudio se fará mais presente numa produção menor, com menos profissionais e menos verba.

  2. @Diogo Louzada Muito obrigado pela contruibuição!
    Em relação a compressão, tanto o H264 como o AVCHD comprimem muito as imagens, então comparando as DSLRs com filmadoras “comuns” (da faixa dos 5 mil até os 14 mil mais ou menos) apresentam os mesmo problemas de compressão.
    Realmente acabei esquecendo de falar do Rolling Shutter, obrigado por lembrar!
    E devo confessar que essa questão do monitoramento eu não conhecia, realmente uma bela dor de cabeça.
    Na verdade o que não deixei muito claro é que o principal problema de usá-las nas grandes produções é o limite dos 12min de vídeo contínuo e também o aquecimento das câmeras, que costumar esquentar muito quando estão filmando.
    Em relação ao áudio, as pequenas produções podem usar um simples microfone, já ajuda e muito, sem a necessidade de gravação externa. E outra, hoje existem muitos gravadores digitais com preços bem acessíveis para aluguel, em torno de R$ 80,00

  3. Oi pessoal, preciso de ajuda! Eu tenho uma camera t3i (nos EUA achei uma por 499 dólares e quero usá-la pra fazer videos de pouca duração.. Ela filma em hd ok, mas na hora de filmar, a imagem fica MUITO embaçada. O que faço? É alguma configuração ou algo do tipo? Me ajudem!! Obrigada.

    • Olá Giovana,
      Nas fotos fica normal?
      Vou falar um coisa meio básica, mas nessas câmeras o foco é manual. Tenta mexer no anel de foco e vê se resolve.
      Se não mudar nada, mande para alguma assistência, porque deve ser algum defeito mesmo.

      Att,
      Marcelo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>