Formatos de Janela

6, fevereiro, 2013 Marcelo Daros Sem comentários

E aí pessoal, tudo certo? Vamos dando continuidade por aqui! Nesse post irei falar um pouco sobre os formatos de janela/tela que temos e que são mais usadas no cinema.

Vamos entender, antes de mais nada, a notação para os formatos de tela. Vamos usar como exemplo o 1.33:1. É uma notação de proporção, ou seja, a largura da tela vale 1.33 da  altura.

Em pura matemática: supondo que X é a largura e Y a altura a fórmula seria a seguinte -> X = 1.33 x Y. É isso! Simples!

O formato que usei no exemplo (1.33) foi o primeiro usado (ou um dos primeiros) que nada mais é que o formato quadrado. Hoje dia, no cinema, ele não é usado mais, salvo algumas rarríssimas exceções. Isso ocorreu graças ao surgimento da televisão, que adotou o 1.33. Dessa forma o cinema estava deixando de ser um grande diferencial de entretenimento, foi aí que os padrões widescreen surgiram, única e exclusivamente para o cinema se diferenciar das TVs. Mas, em minha modesta opinião, os formatos Wide trazem um conforto muito maior para o espectador, por nossa visão ser mais horizontal do que vertical.

Vários formatos wide foram surgindo, mas alguns acabaram assumindo o mercado por simples razões de ou facilidade ou padrão. Um deles é o formato 1.66:1, que é o padrão de cinema europeu atualmente. E também é o formato do Super 16. É um formato já widescreen, mas menos que o padrão HD (16×9).

Depois temos o formato 1.85:1, o padrão atual do cinema hollydiano, ligeiramente mais retangular que o padrão HD.

A título de curiosidade, o padrão HD, o famoso 16×9, nessa notação seria 1.75:1, ficando entre o 1.66:1 e o 1.85:1.

Por fim temos o cinemascope, que é o 2.35:1, um padrão extremamente widescreen, formato esse que se popularizou nos filmes de velho oeste.

Confira abaixo os formatos em comparação:

Os Formatos de Tela

Comparação entre os formatos de tela.

E no Brasil, quão o padrão do cinema? Isso vai depender. Nosso padrão de cinema se modificou com o tempo. Quando sofríamos muito influência da europa, nosso padrão era o 1.66. Com o aumento da influência dos EUA por aqui, passamos a adotar o padrão deles, o 1.85. Com o cinema digital, essa questão muda um pouco, já que ele permite a rápida mudança no formato de tela.

Um dos problema relativos a isso é que hoje o Diretor de Fotografia tem que pensar muito bem o formato de tela e o enquadramento, para a fácil adaptação do filme ao DVD/BluRays, que normalmente tem o padrão 16×9. De outro modo, muitos recorrem ao LetterBox, aquelas barras pretas que ficam acima e abaixo de um filme. Esse é um dos motivos do uso dos linhas de segurança quando gravamos alguma coisa, para que a adaptação dos formatos de tela seja feito de forma simples e rápida. É o que ocorre hoje com as emissoras de TV, que gravam em HD, mas têm que ainda enquadrar para o 4×3, para a transmissão analógica.

Por hoje é só isso pessoal!

Um abraço!

A Película de Cinema

24, outubro, 2012 Marcelo Daros 1 comentário

Olá para todo mundo! Depois de muito tempo sumido aqui do blog, vamos voltando a atividade!

O que eu pretendo agora é criar uma série de posts sobre a película de cinema. E não, ela não está morrendo, não está entrando em desuso. Longe disse. A película ainda é muito usado e pretendo aqui mostrar o porque disso!

Vamos, primeiramente, falar sobre os tipos de película que mais se usa hoje em dia.

35mm Anamórfico (fonte: wikipedia)

A mais conhecida é sem sombra de dúvida, a película 35 mm. Acima você pode ver que cada fotograma (cada frame) ocupa o espaço de 4 perfurações. No canto esquerdo nós temos a trilha de áudio ótico também. No caso dessa película em particular, ele está no formato anamórfico, e quando for projeta terá uma proporção de 2.40:1, que é o famoso Cinemascope, criado lá nos tempos dos filmes de velho oeste, mas no próximo post irei explicar melhor isso. O principal agora é apresentar os tipos de película.

Película 16mm (fonte: wikipedia)

Acima temos outro tipo de película, que é o 16 mm. Veja que os fotogramas agora ocupam  apenas 2 perfurações e, no exemplo acima, não temos a trilha de áudio ótico. Mas esse formato não é mais usado hoje em dia, o que se usa é o famoso Super 16.

Comparativo entre o 16 e o Super16 (fonte: wikipedia)

A diferença entre os dois formatos é essa. O Super 16 remove uma das trilhas de perfurações para que seja possível ter um fotograma maior, utilizando a película 16mm. Esse formato, Super 16, é o que mais é usado hoje em dia no cinema brasileiro. Por ser mais barato, muito filmes rodam em Super 16 e na finalização fazem uma cópia para 35 mm, para ir para as salas de exibição.

Existe também o Super 35, que é a película de 35 mm que não possui a trilha de gravação, o que aumenta um pouco também o tamanho do fotograma e quanto maior for o seu fotograma, maior será a resolução dele.

Um último formato muito usado nos dias de hoje é o IMAX, que é uma película de 70 mm, mas que ao invés de rodar na vertical ela roda na horizontal, o que aumenta e muito o tamanho do fotograma.

IMAX comparado com o 35 mm (fonte: globo.com)

Cada fotograma de IMAX ocupa 15 perfurações, gera uma imagem imensa. Mas é claro que isso implica em um custo muito maior e muito mais trabalho de pós produção, então quem realmente usa isso são as mega produções dos Estados Unidos. E usam também em alguma cenas, na maior parte ainda é usado o 35 mm que depois é ampliado para o padrão IMAX.

Para essa introdução é isso pessoal. Nesse post minha intenção era apenas apresentar rapidamente os tipos de películas que temos. No próximo irei falar sobre os formatos de janela que temos (1.33:1 ; 1.66:1 ; 1.85:1 e 2.40:1).

Até lá!

Criando um ar intimista

13, março, 2012 Marcelo Daros Sem comentários

Olá pessoal, antes de mais nada gostaria de pedir desculpas a todos, pelo meu sumiço…

Muitas coisas foram acontecendo na minha vida, tanto profissional quanto pessoal, mas não se preocupem todas coisas boas! Porém me deixaram sem tempo para publicar aqui no site.

Agora, que tudo está mais calmo, voltarei a normalidade por aqui!

Nesse artigo irei dar um dica para vocês criarem um ambiente intimista em suas filmagens, excelente para a documentários ou mesmo programas de entrevistas.

O vídeo que irei mostrar para vocês foi produzido para um trabalho da minha faculdade, na disciplina de Vídeo e Técnicas de Iluminação. Quem realizou a Direção de Fotografia foi a Sara Pavan (@Sarapavan) e eu editei.

Entrevista no Banco

Espero que tenham gostado do vídeo!

Para criar esse ambiente intimista o processo é bem simples. A câmera está bem de frente para o protagonista e a única iluminação presente é um refletor Fresnel, focado direto nele, em um ângulo de aproximadamente 60˚, e só. Esse refletor por ser substituido por uma luminária de jardim por exemplo, e para realizar o foco da luz, use cartolina preta! Não pode haver mais nenhuma fonte de luz no ambiente, caso contrário, você pode acabar iluminando elementos indesejados. Recomendo gravar colorido, para você mais controle sobre o efeito PxB no programa de edição.

Depois de ter o material gravado, já dentro do programa de edição, além de jogar o filtro de PxB, fazemos alguns ajustes no brilho e contraste do vídeo, para que o preto fique bem preto e o branco bem branco. E pronto! Um efeito intimista simples de fazer, mas com um resultado bem bacana.

É isso pessoal, espero que seja útil para vocês em algum momento! Desculpas novamente pelo sumiço.

Abraços,

Marcelo

Vídeo no Lightroom 4 Beta

20, janeiro, 2012 Marcelo Daros Sem comentários

Olá pessoal!

Aproveitando o último post do nosso amigo André Fernandes falando sobre a edição de vídeo no Lightroom 4 Beta (confira aqui), irei fazer alguns comentários sobre as ferramentas de edição de vídeo deste programa que da nome ao blog.

O pouco que consegui ver e usar parecem muito promissores, mas é exatamente isso, são promissores. Muita coisa tem que ser melhorada. Lógico que tenho em mente que a Adobe não tem muito interesse em transformar o Lightroom em uma ferramenta de edição poderosa, já que poderia ser o fim do Premiere, acho que a ideia deles é transportar o uso do Lightroom para fotos, para o mundo dos vídeos.

Mas como assim?

O grande diferencial da Adobe está na integração entre seus softwares. É muito mais fácil passar um composição do After Effects para o Premiere do que passar a mesma composição para Final Cut/Avid/Outros. O mesmo vale para letterings criados em Photoshop, Illustrator. E eles querem criar uma ferramenta de pré-edição para os vídeos de DSLR principalmente.

Vamos ao cenário: você acabou de gravar 5h de material que irão se tornar 15 min de um curta metragem (isso na melhor das hipóteses). Tudo isso usando sua DSLR. Ao invés de importar todos esses arquivos de vídeo no Premiere para depois selecionar o melhor material, você irá usar o Lightroom para isso! Podendo inclusive já realizar um pequeno tratamento na cor/luz/brilho/contraste/etc.

Dessa forma, o que vai parar no programa de edição é o material já decupado, economizando espeço na geração de peaks, links, render. Enfim, uma ótima ferramenta! Sem falar que para realizar pequenos vídeos será melhor ainda. Já que terá um editor de vídeos sem ter que gastar mais um tanto comprando outro software.

Mas digo novamente, é promissor. Uma das coisas que não gostei, e espero que a Adobe mude isso, é que para você criar um preset para aplicar no seu vídeo, você tem que criar um frame, trabalhar nesse frame, salvar o preset e depois aplicar no vídeo. Trabalhoso, e acaba com a criação de uma imagem inútil, que acabará indo para a lixeira. Outro ponto é a questão da exportação, também espero que incluam mais opções de exportação, e que ela seja uma pouco mais personalizável. Poderiam inclusive integrara o Media Encoder no Lightroom. Isso seria muito interessante!

Realmente será uma coisa incrível usar as ferramentas do Lightroom para vídeo também. Uma gama imensa de presets que podem, e irão, fazer muito diferença nos trabalhos em vídeo!

É isso pessoal, o material em vídeo para os artigos de movimento de câmera está ainda em fase de produção, espero até semana que vem já ter alguma coisa pronta!

Devo dizer que estou bastante empolgado com essa nova versão do Lightroom, que pode acabar culminando na minha compra do produto! hehehehe

Abraços!

Movimentos de Câmera – Introdução

11, janeiro, 2012 Marcelo Daros Sem comentários

Um grande olá para todos! Vamos começar 2012 a todo vapor!

E como primeiro post do ano, anuncio mais uma série aqui no Lightroom Brasil, dessa vez sobre movimentos de câmera. Sim, já que o cinema trata da imagem em movimento, e visto que o papel do diretor de fotografia é justamente manipular (ou pelo menos coordenar) a câmera, nada melhor do que saber os diferentes movimentos de câmera.

Mas esse primeiro artigo trata-se apenas de uma introdução. Por que? Pois estou preparando um material em vídeo, já que falar sobre movimentos de câmera, sem ver o movimento da câmera, é um pouco complicado.

São vários os movimentos, e eles servem para adicionar dramaticidade a sua cena, destacar alguma personagem ou objeto, e por aí vai. Lembrando que existem os planos de enquadramento, que serão usados em conjunto, ajudando mais ainda na composição da cena.

O que eu pretendo agregar a esses artigos de movimento de câmera, são também os ângulos de câmera (Plongèe, Contra-Plongèe, Câmera Normal, 3/4 de Perfil e Perfil), criando um pacote bem completo para a estruturação e gravação de uma cena.

Não existe uma regra fixa de qual o melhor ângulo para determinada cena. O que realmente faz a cena é o conjunto de enquadramento, movimento, ângulo e principalmente a iluminação. Eu vou apresentar os ângulos, citando alguns exemplos de cenas, mas não é regra! Use e adapte o melhor ângulo para sua composição!

Vamos então apresentar os Ângulos de Câmera:

Plongèe

O Plongèe é a cena vista de cima para baixo, normalmente causa uma sensação de distanciamento da personagem e é muito utilizado em cenas de angústia e solidão (lembrando que isso não é regra!). Veja o exemplo:

Imagem de Plongèe

Plongèe - Harry Potter e a Ordem da Fênix

Repetindo, o que cria a sensação de angústia/desespero de Harry na cena não á apenas o ângulo da câmera, mas todo o conjunto da obra, o enquadramento, a iluminação e a própria atuação de Daniel Radcliffe.

Contra-Plongèe

Até pelo próprio nome, deduzimos que o Contra-Plongèe é a imagem vista de baixo para cima. O principal desse ângulo é a criação de uma sensação de domínio muito forte (não é regra!), como visto na cena abaixo:

Imagem do Contra-Plongèe

Contra-Plongèe - Pulp Fiction

Câmera Normal

Aqui basta o exemplo. É simplesmente a câmera no nível da personagem.

Imagem Câmera Normal

Câmera Normal - Sociedade dos Poetas Mortos

Perfis

Temos o Perfil:

Imagem do Perfil

Perfil - Melancholia

E o 3/4 de Perfil:

Imagem do 3/4 de Perfil

3/4 de Perfil - Melancholia

Repetirei de novo, não existe regra nos ângulos de câmera, você, em conjunto com outros fatores (enquadramento, luz) irá escolher o melhor ângulo que se encaixe na sua cena!

Vou ficando por aqui e nos vemos semana que vem!

Até!

Planos de Enquadramento – Parte 4

26, dezembro, 2011 Marcelo Daros Sem comentários

Antes tarde do que nunca! Devido alguns contratempos, acabei atrasando demais a última parte dos artigos de plano de enquadramento, mas finalmente chegou!

Lembrando que, para quem ainda não leu, seguem os links das primeiras partes:

Parte 1 Parte 2 Parte 3

Na primeira parte desse artigo, iremos falar sobre o Primeiro Plano.

Diferente do Médio Primeiro Plano, o Primeiro Plano “corta” a personagem um pouco abaixo da linha do peito. É usado para dar grande destaque para as expressões faciais, e para cenas com diálogo entre personagens. Abaixo um exemplo bem claro de Primeiro Plano:

Imagem Primeiro Plano

Primeiro Plano - Pulp Fiction

Icônico filme de Tarantino. Percebam como as expressões faciais são o grande destaque desse plano, que muitas vezes perde os movimentos gestuais das personagens.

Depois do Primeiro Plano, temos o Primeiríssimo Plano, ou Prisso, também chamado de Close. O uso desse plano gera grande dramaticidade a cena e ressalta com clareza e detalhes todas as expressões faciais da personagem. Observem o exemplo:

Imagem do Primeiríssimo Plano

Primeiríssimo Plano - Poker Face (Lady Gaga)

O grande destaque do plano é a face da personagem.

Por fim, e não menos importante, temos o Det ou Plano Detalhe. Esse é o plano para quando queremos dar grande destaque e dramaticidade, a mesma ideia do Primeiríssimo Plano, porém não na face da personagem. Sim, é errado dizer: “Faça um Close na minha mão”. O correto é usar o termo Det, ou Plano Detalhe. Abaixo você vê um exemplo:

Imagem do Det

Det - A Origem

A imagem acima foi retirada do filme “A Origem”, do Christopher Nolan. O Det é justamente para dar detalhe a tudo aquilo que não seja o rosto das pessoas.

Enfim terminamos. Vale dizer que em relação aos nomes dos planos, cada autor pode ter o seu. Em vários escolas, faculdades, cursos, podem ser utilizados nomes diferentes dos que eu mostrei nesses artigos, mas a teoria é sempre a mesma. Basta pegar a ideia geral do como quer que seja sua cena, e buscar o melhor enquadramento para ela!

Agradeço a todos e desejo uma ótima passagem de ano para todos!

E que venha 2012!

Abraços!

Planos de Enquadramento – Parte 3

5, dezembro, 2011 Marcelo Daros 4 comentários

Olá para todo mundo! Dando seguimento a série de artigos sobre planos de enquadramento, hoje falaremos sobre Plano Conjunto, Plano Americano e Médio Primeiro Plano.

Para quem ainda não leu, recomendo a leitura da primeira e da segunda parte desta série.

Vamos começando então!

O Plano Conjunto tem como característica apresentar a personagem para o público. Podemos dizer que o Plano Conjunto é a primeira impressão que teremos de nossa personagem. A maneira como anda, como se veste, seu gestual. De forma mais clara, abaixo segue um exemplo de um Plano Conjunto.

Imagem em Plano Conjunto

Plano Conjunto - O Diabo Veste Prada

Muitos podem confundir o Plano Conjunto com o Plano Geral, mas a principal diferença é que no Plano Geral, o destaque maior está no ambiente, o que se destaca é o lugar em que a personagem está inserida, enquanto que no Plano Conjunto é a personagem que está em destaque. Utilizando novamente as linhas da Regra dos Terços:

Plano Conjunto - Regra dos Terços

A mesa em foco!

O centro de atenção da cena está na mesa da Miranda (Meryl Streep). E não por acaso, a ideia é justamente dar destaque para o trabalho e a importância da personagem no filme. Uma mesa grande com muitos papeis. Facilmente você identificada que quem tem mais “poder” na cena é a personagem da Meryl Streep.

Entramos agora no Plano Americano. Pelo próprio nome, ele foi criado em Holywood, mas especificamente nos filmes de Velho Oeste. Mas por quê? Simples. Qual uma das principais ações que ocorrem em filmes de Velho Oeste? Os duelos. No Plano Conjunto, muitas informações gestuais e faciais acabavam se perdendo. Como resolver? Simples, basta analisar a imagem abaixo:

Imagem do Plano Americano

Plano Americano

Repare que o enquadramento corta a personagem um pouco acima do joelho. Isso para que, além de ressaltar os gestuais e as expressões faciais, as armas dos cowboys se destacassem também. Nem me dou ao trabalho que colocar as linhas da regra dos terços, já que claramente vemos que a imagem está centralizada. O que também não chega a ser um problema, dependendo do caso.

Por fim e não menos importante, temos o Médio Primeiro Plano. Mais comumente conhecido como o plano de enquadramento dos telejornais. Neste plano a ideia é dar foco nas expressões gestuais e faciais da personagem, percebidas com bastantes detalhes. Segue o exemplo abaixo:

Imagem do Médio Primeiro Plano

Médio Primeiro Plano - Larry King

Nosso amigo Larry King está em Médio Primeiro Plano. Aliás, este é um exemplo em que a imagem centralizada foi bem usada. A ideia é dar foco na entrevista, chamando bastante a atenção do espectador. Mas o risco aqui é que o programa tem tudo para se tornar muito cansativo. E aí que surge a criatividade do diretor em descobrir como fazer para que isso não aconteça. Sabe como? O microfone.

O simples fato do microfone estar colocado em um ponto estratégico da cena, já cria uma compensação visual, que deixa o lado direito “mais cheio” que o lado esquerdo, dessa forma a imagem torna-se muito mais atrativa e menos densa do que se o microfone não estivesse lá. Veja como um simples elemento para ajudar absurdamente a sua composição de cena!

Por hoje vamos ficando por aqui! Semana que vem a quarta e última parte dos artigos sobre planos de enquadramento.

Até lá!

Planos de Enquadramento – Parte 2

24, novembro, 2011 Marcelo Daros Sem comentários

Demorou um pouco, mas finalmente saiu!

Antes de mais nada, recomendo, para quem não leu, que leia a Primeira Parte da série sobre planos de enquadramento.

Nesse artigo, irei falar sobre dois tipos de plano de enquadramento. O Plano Geral Concentrado e do Plano Geral.

Ambos os planos são bem abertos, ambientando muito bem o espectador. A diferença entre eles é que o Plano Geral Concentrado cria a ambientação do lugar, indicar se estamos em uma cidade grande ou pequena, em uma vila, no meio da selva. Já o Plano Geral vai ambientar a personagem, onde ela mora, em que trabalha, em que região vive.

Vamos as explicações mais detalhadas. Abaixo você encontra um exemplo de um Plano Geral Concentrado:

Imagem do Plano Geral Concentrado

Plano Geral Concentrado (crédito: Londres 2012/Divulgação)

Perceba que neste plano, conseguimos nos ambientar muito bem. Já sabemos que trata-se de uma cidade grande, pelos prédios ao fundo e que, pelo maior destaque da foto ser o estádio e a outra estrutura branca, podemos inclusive imaginar que nossa personagem está trabalhando nas obras dessas duas estruturas. Mas por que o destaque da foto são essas duas estruturas? Basta lembrar do artigo anterior, sobre a regra dos terços. Veja como fica a imagem após aplicar as linhas:

 

Plano Geral Concentrado com as linhas da regra dos terços

Repare nos pontos de intersecção das linhas.

Veja que o estádio está “tocando” dois pontos de intersecção e que a estrutura branca está bem em cima de um. Dessa forma, assim que olhamos a imagem, nossos olhos nos levam para essas duas estruturas.

Vamos ao Plano Geral. Este serve para ambientar nossa personagem. Nos dizer, por exemplo, em que ela trabalha ou onde ela mora. Veja na imagem abaixo um exemplo de Plano Geral:

 

Imagem do filme Kill Bill - Volume 1

Plano Geral (Kill Bill - Volume 1)

Vamos lá. Pela imagem já concluímos que nossas personagens estão em um local deserto, por só haver a igreja a vista. Trata-se de um lugar bem seco, pelo tipo das árvores e do solo. Já sabemos que nossas personagens, ou são policiais, ou assassinos, ou mercenários, pelo tipo de roupa que usam e por estarem com armas, e podemos imaginar que irão realizar algum tipo de massacre e que esse massacre ocorrerá na igreja, por todas olharem para ela. Está é a função do Plano Geral, em uma rápida olhada, ambientamos nossas personagens e conseguimos pelo menos ter ideia do são e o que fazem.

A título de curiosidade, aplicando as linhas da regra dos terços, teremos:

 

Plano Geral com a regra dos terços

Veja que as personagens encontram-se nas intersecções inferiores.

Repare que nessa composição, o Diretor de Fotografia não colocou os elementos nos pontos de intersecção, mas em cima da linha horizontal inferior. Com isso, você consegue o mesmo efeito de destaque, nossos olhos são direcionados para as personagens. Ou seja, podemos usar a regra dos terços colocando os elementos nos pontos de intersecção ou mesmo utilizando as próprias linhas!

Terminamos por aqui pessoal! Semana que vem irei falar sobre Plano Conjunto, Plano Americano e Médio Primeiro Plano.

Até lá!

Planos de Enquadramento – Parte 1

8, novembro, 2011 Marcelo Daros 1 comentário

Olá pessoal, semana passada, devido a problemas com tempo, acabou não saindo post, mas já está tudo certo.

Este é o primeiro artigo sobre planos de enquadramento. Coisa super importante para qualquer meio visual (foto, desenho, filmes, tv), mas que nem sempre o pessoal toma o cuidado necessário. Mas antes mesmo de começar a falar sobre os planos de enquadramento, falarei sobre a regra dos terços.

A regra dos terços faz parte da composição da cena (que como já disse em um artigo passado, é função do diretor de fotografia) e é uma regrinha simples, muito simples mesmo, mas que ajuda muito na criação de uma cena harmoniosa e com seu foco de atenção bem definido.

Imagem Regra dos Terços

A regra dos terços

Basicamente a regra dos terços consiste em dividir sua cena em nove partes iguais, conforme a foto ao lado. Serão duas linha na horizontal e duas linha na vertical. As intersecções dessas linhas, representadas na imagem pelos pontos vermelhos, são os ponto de atenção de sua imagem, ou seja, o que estiver nesses pontos é o que chamará mais a atenção em sua foto/cena/desenho.

Em resumo, ao compor uma cena, você tem que ter a preocupação de colocar nesses pontos (pode ser em mais de um) o que você quer que tenha destaque na sua composição.

Vamos observar os exemplos:

Cena de "O Poderoso Chefão"

Cena do filme "O Poderoso Chefão"

Veja a cena acima, do filme “O Poderoso Chefão”, mostrando nosso amigo Michael Corleone. Nos parece que não tem nada de mais, porém, ao jogar as linhas da regra dos terços, veja o que acontece.

Cena de "O Poderoso Chefão" Linhas Guias

A mesma cena, com as linhas da regra dos terços

Perceba que todo o foco de atenção da cena, que é o Michael, está sobre dois pontos de intersecção, o nos faz olhar diretamente para ele e percebê-lo antes de qualquer outra coisa na cena. Essa é a mágica da regra dos terços!

Para a conveniência de todos muitas câmeras, se não todas, já trazem essas linhas no display, uma olhada no manual ou uma boa fuçada na câmera e você encontrará essa função, que facilita e muito o nosso trabalho. E para os desenhistas, basta adicionais linhas guias em seus programas favoritos, como Photoshop, Illustratos, Corel Draw, ou qualquer outro.

Dessa parte de introdução é isso pessoal, uma parte bem simples, mas que faz muita diferença! Usaremos essa regra dos terços em conjunto com os planos de enquadramento, para compor cenas com sensações específicas! Na semana que vem tem mais!

Um abraço!

O uso de DSLRs no Cinema

24, outubro, 2011 Marcelo Daros 4 comentários

Muito se tem falado sobre o uso de DSLRs (como 7D e 5D Mark II) na produção cinematográfica. Esse artigo tem o objetivo de fazer um levantamento sobre as vantagens e desvantagens do uso desse equipamento na produção de um filme.

Acredito que não seja novidade para ninguém que a grande vantagem das DSLRs, em relação as filmadoras comuns, é a possibilidade criativa que se consegue, graças a facilidade de troca de lentes. Mesmo com uma simples lente 50mm já é possível conseguir imagens magníficas, tudo isso em Full HD, para melhorar ainda mais. Outra vantagem que eu considero é a portabilidade de uma DSLR, são equipamentos menores, mais leves, não chamam tanto a atenção, o que faz diferença em um filme com muitos figurantes por exemplo, poucos vão querer dar aquela olhada para câmera no fim da tomada de uma cena, tendo que repetir tudo de novo.

Canon T3i

Canon T3i (foto retirada do site Gizmodo Brasil)

Claro que não poderia faltar o quesito preço. Hoje, você consegue comprar uma Canon T3i (excelente para quem quer começar a gravar vídeos com DSLR) por “apenas” R$ 3300,00 (rev: Consigo), considerando o mercado formal, com um pouco de pesquisa você consegue um preço melhor. Em comparação uma filmadora Full HD não sai por menos de R$ 5000,00, veja como exemplo a AG-AC7P, da Panasonic, sendo ela uma câmera mediana e que grava em AVCHD (acredite ou não, você terá boas dores de cabeça para editar) e a lente é fixa.

Mas enfim, se elas apresentam todas essas vantagens, por que cargas d’água Hollywood ainda não está usando em massa as DSLRs? A resposta vem logo abaixo, e acredite, não são poucas as desvantagens.

Começarei falando sobre a pior de todas as desvantagens (em minha opinião). As DSLRs (falo da maioria, se não todas) não conseguem gravar mais do que 12 min contínuos de vídeo em Full HD, um grande problema para documentários ou cenas longas. Outra grande desvantagem é o áudio. O microfone das câmeras capta muitos ruídos, muitos deles da própria câmera, sendo obrigatório o uso de um microfone externo, mas entramos em outro problema, as DLSRs não tem conexão XLR (http://en.wikipedia.org/wiki/XLR_connector – site em inglês, mas vale a pena dar uma conferida), a não ser através de um acessório, e muitas não tem o controle desse microfone (como está o nível do áudio, se está captando o áudio). E diga adeus também ao uso de microfones condensadores (http://www.musicaudio.net/gratis/microfones/index.htm – bom artigo introdutório sobre microfones).

DXA-5D

Acessório DXA-5D para 5D Mark II, com o plug XLR (foto retirada do site Expandore)

Temos mais um ponto negativo para as DSLRs, sua péssima ergonomia e estabilidade para vídeo, em alguns casos sendo obrigatório o uso de equipamentos estabilizadores (http://www.merlinvideo.com.br/suportes-para-camera/suporte-estabilizador-shoulder-oem.html), mas este não é tão sério, com um pouco de criatividade resolvemos esse problema. (veja essa dica: http://www.bernabauer.com/como-fazer-uma-steadycam/).

Mas calma, não é para já ir vendendo sua DSLR e comprar uma filmadora de R$ 15000,00. Uma coisa que um professor me ensinou bastante na faculdade foi: “saiba usar o máximo do seu equipamento”. É simples, quer começar a trabalhar com vídeo, compre uma T3i sem pestanejar e, ao entender as limitações dela, use-a com sabedoria e você terá trabalhos fantásticos. Em resumo, tenha o pé no chão e faça sempre o melhor trabalho ao seu alcance! Eu mesmo quero muito ter uma T3i para fazer cenas de transição, como brincadeiras com profundidade de campo, fazer planos DET (plano de detalhes), entre muitas coisas.

Mas dentro de uma produção cinematográfica ainda é complicado usar 100% de DSLRs, devido a essas complicações, que podem acabar comprometendo o orçamento do filme. Em curtas-metragens até é possível usar unicamente uma DSLR, mas em médias e longas ainda não é viável.

Por fim, foi pensando nisso tudo que Sony e Panasonic lançaram recentemente filmadores com lentes intercambiáveis com um preço mais acessível. Basicamente são DSLRs realmente voltadas para a produção de vídeos. Unindo a capacidade criativa das DSLRs com as facilidades de uma filmadora. Confira nos links abaixo um breve descritivo de ambas as filmadoras:

Sony NEX-FS100NK

Panasonic AG-AF100

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