PixelPunch -  Dicas & Truques em Lightroom

Aplicação Criativa de Nitidez

25, fevereiro, 2011 Raphael Bonelli 1 comentário

Olá pessoa. Conforme combinado, aqui está o quarto e último artigo da série sobre aplicação de nitidez, que irá tratar da Aplicação Criativa de Nitidez. Mas antes de entrarmos diretamente no Lightroom, precisamos esclarecer algumas coisas.

Embora este seja o último artigo, no fluxo de trabalho a aplicação criativa de nitidez fica posicionada entre a aplicação de nitidez de entrada e a aplicação de nitidez de saída. Como o Lightroom nos dá a vantagem das alterações não destrutivas, você pode fazer a aplicação criativa de nitidez em qualquer momento durante o processo de tratamento, visto que todo o tratamento posterior (feito no Lightroom) não afetará ou será afetado pela aplicação, e ela também poderá ser recontrolada ou removida a qualquer momento.

Algo importante a ser comentado é que esta aplicação é opcional. Nem todas as imagens ‘pedirão’ ou ‘aceitarão’ determinados níveis de aplicação criativa de nitidez. Embora muitos tradicionalistas possam ver este tipo de aplicação como “trapaça”, ela sempre deve ser vista como uma maneira de intensificar as qualidades de uma foto ou da sua visão de uma determinada imagem. Se você tentar ‘transformar’ uma foto com este método (por exemplo, tentar gerar um desfoque do tipo bokeh em uma imagem que tenha ficado muito nítida em todos os seus planos, ou então tentar recuperar a nitidez de uma foto com foco posterior ou anterior), provavelmente terminará com um resultado artificial.

Por último, a aplicação criativa de nitidez também engloba a redução criativa de nitidez. As ferramentas com as quais trabalharemos hoje permitem também diversas outras alterações localizadas no Lightroom… então sinta-se livre para explorar estas ferramentas. Afinal, não esqueça-se, basta um clique no RESET para resgatar sua foto, então não há riscos em se divertir.

Para o tutorial de hoje separei a foto de um grande amigo (encapuzado na imagem), durante a prática de um esporte bastante divertido chamado AirSoft, que é uma espécie de paintball, porém com características bem própria. Se você quiser saber mais sobre o AirSoft, visite este link. A imagem abaixo já está tratada e com nitidez de saída aplicada para o blog (Screen, Standard), porém no Lightroom trabalharemos na imagem sem a nitidez de saída.

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A imagem já traz um suave efeito de desfoque no fundo, então usaremos as ferramentas de ajustes localizados para enfatizar o desfoque no fundo e aumentar a nitidez de certas partes da imagem, em particular a arma, o óculos e os olhos.

A ferramenta ADJUSTMENT BRUSH (Pincel de Ajuste) está localizada logo abaixo do Histograma no lado direito do módulo DEVELOP. Trata-se do ícone em forma de um pincél (que mais parece um palito de fósforo), o último da direita na barra de ferramentas sob o histograma. Clicar nele (ou ativá-lo com a tecla de atalho ‘K’) faz com que as opções da ferramenta se abram abaixo dela:

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Diferente das demais ferramentas do Lightroom, o ADJUSTMENT BRUSH permite que você faça alterações localizadas, afetando algumas áreas da sua imagem sem afetar outras. Ao utilizar a ferramenta pela primeira vez em uma imagem, você cria uma ‘máscara’ que indica onde o(s) efeito(s) será aplicado. A máscara pode ser, a qualquer momento, editada, ser parcialmente ou completamente deletada, ou ter seus efeitos e parâmetros reestabelecidos. Você pode criar quantas máscaras achar necessário, cada uma com efeitos ou combinações de efeitos diferentes.

Vamos fazer uma análise neste painel de ferramentas, de cima para baixo.

Os dois primeiros botões “NEW | EDIT” determinamos se ao clicar na sua imagem você criará uma nova máscara ou se editará uma existente. Enquanto não houver nenhuma máscara, apenas a opção NEW estará acesa. Ao se pintar a primeira máscara, o botão EDIT se acende, indicando que a partir deste momento você está editando a máscara que criou. Para criar uma nova máscara, basta clicar em NEW e pintar sobre a imagem. Para se editar uma máscara existente, basta selecionar o marco da máscara na imagem (e não clicar na opção EDIT), que veremos em breve.

Abaixo das opções NEW e EDIT você tem um menu chamado EFFECT. Neste menu você pode optar por qual efeito irá alterar em sua imagem (Exposição, Contraste, Saturação e etc.), e também optar por combinações de efeito (Aprimoramento de Íris, Suavização de Pele e etc.). Ao lado deste menu há uma seta que pode ser clicada. Quando apontada para baixo, ela abre todas as opções de efeitos, de modo que você possa controlar cada efeito individualmente para aplicação na máscara. Clicando na seta para virá-la para o lado, estas opções são lugar ao deslizante AMOUNT, que unifica os efeitos selecionados e permite a você ampliar e reduzir o efeito como um todo.

Abaixo das opções de efeito temos as opções BRUSH, referentes ao pincel. A e B são duas marcações de pincéis que você pode configurar. Toda alteração feita neste painel BRUSH afetará ou o pincel A ou o pincel B, dependendo do qual estiver selecionado. Assim o Lightroom permite que você tenha dois pincéis configurados e possa trocar rapidamente entre eles de acordo com sua necessidade. Nesta linha você ainda tem a opção ERASE, que funciona da mesma maneira que o pincel, mas serve para apagar a máscara onde o efeito está sendo aplicado.

Abaixo das opções você tem as seguintes opções:

  • SIZE = define o tamanho do pincel com o qual você irá pintar/apagar sua máscara.
  • FEATHER = aumenta e diminui a área de suavidade em torno do pincel, esta area indica a partir de onde, e até onde, o efeito do pincel ficará esmaecido, gerando um efeito de borda mais suave.
  • FLOW = define o quanto da densidade (veremos em seguida) do pincel será aplicada em uma única passada do pincel. Com o FLOW em 100, apenas uma passada do pincel é necessária para pintar a máscara com a força definida na opção DENSITY. Na medida em que se reduz a opção FLOW, mais passadas são necessárias para se atingir o nível definido na opção DENSITY.
  • AUTO MASK = quando ativa, esta opção faz com que o pincel tente discernis automaticamente as áreas de mudança de cores. Assim facilitando a pintura em torno de áreas de grande contraste.
  • DENSITY = a ‘força’ máxima da máscara. Indo de 0 a 100%, indica a potencia da aplicação da máscara e por consequência do efeito. A Densidade define a força final, então se você passar com o pincel em densidade 50 sobre uma área já pintada com densidade 100, a área passará a ter densidade 50.

As opções FLOW e DENSITY tem uma relação que as vezes pode ser difícil de compreender. O DENSITY define a força máxima que a máscara pintada terá (independentemente da força que a área pintada já possa ter), enquanto FLOW define o quanto da densidade é aplicada em cada passagem do pincel, até que o a área finalmente atinja a força definida em DENSITY.

Após selecionar os parâmetros de seu efeito, ao colocar o mouse sobre a imagem você verá um cursor de pincel (que infelizmente não sai no PRINT SCREEN) formado por um pequeno círculo cinza (com o sinal de + dentro dele) e dois círculos maiores. O Sinal de “+” indica que ao clicar você estará criando uma nova máscara, enquanto o círculo menor (definido pela opção SIZE) indica a área na qual será aplicada a densidade máxima do pincel, e o círculo maior indica a área na qual o efeito suavizado será aplicado (definido por FEATHER). Caso a opção AUTO MASK esteja ativa, as cores na área do círculo maior que forem muito diferentes das cores presentes no círculo menor não receberão aplicação da máscara. Isto ajuda muito quando você está pintando uma máscara em torno de um objeto com cores muito díspares do fundo.

Finalmente, você pode controlar o tamanho do seu pincel enquanto pinta utilizando as teclas de colchetes [ ] do teclado, ou através do scroll do mouse.

Para começar o trabalho em nossa imagem, vamos iniciar com a redução de nitidez no fundo da fotografia, aprimorando o efeito de desfoque (conhecido como bokeh) da imagem. Para isto, selecione a opção SHARPNESS no menu EFFECT, e depois certifique-se de que a seta ao lado deste menu esteja apontada para baixo, apresentando todos os controles de efeitos. Nestes controles, deslize o SHARPNESS todo para a esquerda (até –100) e faça o mesmo com a opção CLARITY, e certifique-se de que todos os outros comandos estejam em 0.

IMPRESSAO_003Inicialmente este efeito pode parecer exagerado, mas lembre-se que comentei que podemos ajustar o efeito depois da máscara pintada. Neste caso, um efeito muito sutil pode dificultar a visualização da máscara, por isto prefiro exagerar no efeito na hora de pintar, e ajustá-lo depois.

Feito isto, vá até a área de sua imagem onde você quer aplicar o efeito e comece a pintar, e verá que a área sendo pintada será desfocada. (Novamente, prefiro utilizar DENSITY 100 no pincel e controlar a intensidade do efeito depois da aplicação da máscara).

Ao começar a pintar sua máscara, você perceberá que o LIGHTROOM criará um MARCO (um pequeno ponto cinza e preto) no local onde você começou. Este ponto é o marco da máscara, seu ponto de origem, e você o utilizará para selecionar a máscara novamente caso necessário.

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O ponto preto no meio do marco indica que aquela é a máscara selecionada no momento, e a ela serão aplicadas as alterações que você venha a fazer. O marco tem uma segunda e interessante função. Se você deixar o mouse sobre ele, o LR irá marcar em vermelho a área afetada por aquela máscara. Agora vamos ser honestos, esta mancha vermelha é muito menos discreta que o efeito de desfoque, então porque não utilizá-la como referência enquanto pintamos a máscara? Isto é fácil, basta selecionar a máscara (clicando no marco desejado) e apertar a tecla de atalho “O” (letra ó) para que a máscara fique presente enquanto você pinta.

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Esta imagem não ajuda muito o AUTO MASK, pois a camuflagem da roupa confunde-se com o verde da mata (acho que por isto é que é camuflagem!). Por isto eu desliguei a opção AUTO MASK (ela atrapalha mais que ajudava, as vezes excluindo da máscara folhas e galhos com cores diversas) e pintei as áreas mais problemáticas da imagem, a também aquelas áreas mais distantes do assunto do primeiro plano, sempre ampliando e reduzindo o pincel conforme necessário. Feito isto, ligo a opção AUTO MASK e deixo que o computador me ajude a pintar a área em torno da arma e da luva.

E se a cor predominante da imagem for vermelha? Neste caso, com a máscara visível pressione o atalho SHIFT+O para alternar entre diversas opções de cores para a máscara.

Caso em algum momento você pinte uma área errada da imagem, sempre poderá apagar a máscara selecionado a opção ERASE nas opções de pincel. Melhor que isto, enquanto pinta, basta segurar pressionada a tecla ALT para converter seu pincel temporariamente em borracha e apagar a área desejada. Basta liberar a tecla ALT para voltar ao pincel anterior.

Abaixo temos uma visualização de uma seção da imagem com a máscara visível (esquerda), seguida pela mesma seção antes do efeito (centro) e finalmente o efeito aplicado (direita).

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Agora, vamos para a segunda parte de nosso processo, que será a aplicação de nitidez e clareza nas áreas mecânicas da imagem (arma). Para isto, devemos começar uma nova máscara, pois a área de seleção, neste caso, será diferente. Para isto, clique no botão NEW do painel do ADJUSTMENT BRUSH. Você perceberá o marco da máscara que você acabou de pintar ficará apenas cinza, indicando que ela está desselecionada. Caso você esteja com a máscara visível (atalho O), ela também sumirá. E o cursor do pincel ganhará novamente o sinal de “+”, indicando que uma nova máscara será inciada.

Porém, antes de pintarmos, vamos configurar novamente nosso efeito. Novamente, vamos para o exagero. Após clicar em NEW, coloque as opções CLARITY e SHARPNESS em 100, e vamos pintar sobre a arma utilizando as mesmas técnicas anteriores. Um novo MARCO surgirá no primeiro ponto onde você pintar, marcando a nova máscara.

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Acima temos a imagem de uma seção da imagem com a máscara aplicada (eu apliquei uma máscara sobre os olhos com DENSITY em 50, para aplicar um pouco do efeito sobre os olhos), seguida pela após o efeito (centro) e antes do efeito (abaixo).

Neste momento temos na nossa imagem 2 marcos, indicando a presença de duas máscaras. Você pode selecionar, clicando com o mouse sobre os marcos, qualquer uma das máscaras. Com a máscara selecionada (perceba que selecionar a máscara faz com que os parâmetros no painel representem aqueles aplicados com a máscara) você pode alterá-la (pintando ou apagando com o pincel), ou então alterar seus parâmetros.

Para alterar parâmetros, uma vez aplicados os efeitos, você tem duas opções. A primeira é alterar os parâmetros individualmente (movendo os deslizantes SHARPNESS e CLARITY, neste caso), a segunda opção é clicar na seta ao lado do menu EFFECT, acessando assim o deslizante AMOUNT, que controla o efeito como um todo.

Você pode ainda aproveitar a máscara que já tem (neste caso, sobre o plano de fundo e outra sobre a arma) para trabalhar com outros parâmetros da imagem.

Para a imagem final, eu selecionei a máscara do plano de fundo (desfoque), e reduzi o deslizante AMOUNT, e mantive o efeito sobre a arma em sua força máxima (como mencionei em outro artigo, objetos mecânicos normalmente suportam uma boa dose de aplicação de nitidez, diferente do que aconteceria se utilizarmos esta técnica para destacar partes do corpo como olhos ou boca).

A imagem final está abaixo.

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Nitidez de Saída

18, fevereiro, 2011 Raphael Bonelli 1 comentário

Olá pessoal. Vamos dar continuidade em nossa série de artigos sobre aplicação de nitidez em fotografia digital. Você poderá ver os dois primeiros artigos desta série nestes links: Artigo 1 – Aplicação de Nitidez no Fluxo de Trabalho e Artigo 2 – Nitidez de Entrada.

Enquanto a aplicação de nitidez de entrada, e também a criativa que veremos no próximo artigo, é dependente do gosto pessoal de cada um, a aplicação de nitidez de saída é um trabalho muito mais técnico. A nitidez de saída é direcionada para o suporte final da imagem, seja ela para apresentação em tela ou impressão, e depende diretamente do tamanho final da imagem. Na época em que o tratamento fotográfico era feito todo em softwares como o Adobe Photoshop, isto significava criar ACTIONS com a aplicação de nitidez específica para um fim determinado (uma ACTION para impressão off-set, outra para visualização em tela, outra para impressão fotográfica e daí por diante) e criar várias duplicatas das fotos.

O Lightroom transforma o processo de nitidez de saída em algo muito mais prático e, principalmente, o coloca no ponto certo do fluxo de trabalho, na exportação da imagem. Mas primeiro, vamos entender melhor a nitidez de saída.

A aplicação de nitidez de saída parte do pressuposto de que sua imagem tenha recebido a aplicação de nitidez necessária e adequada para as características de entrada da imagem. Ou seja, dependendo da nitidez de seu conjunto câmera+objetiva, das configurações de captura e das características do assunto (alta frequência, baixa frequência, orgânico, mecânicos e etc), você terá aplicado a nitidez de forma correta a ter um bom resultado em tela.

Partindo desta ideia, a aplicação de nitidez de saída apenas adequará a imagem ao processo final pelo qual ela passará. Se a imagem for para utilização em tela, a aplicação de nitidez será bastante sutil, pois a aplicação de entrada já terá deixado a imagem ‘no ponto’ para uso em tela. Se for para impressão, a coisa complica um pouco, pois uma imagem que ficará nítida na impressão certamente parecerá “nítida demais” quando vista em tela. Isto se dá pelo fato de que o modo como a imagem é reproduzida na tela (através de pixels alinhados vertical e horizontalmente) é bastante diferente da impressão por jato de tinta (pontos difusos), off-set (retícula) e impressão fotográfica (tons contínuos).

Isto significa que imagens para apresentação em tela não precisam de aplicação de nitidez de saída? Não, não significa.

Quando você reduz uma imagem (a ampliação da imagem sempre degrada a imagem e deve, sempre que possível, ser evitada), a tendência é de que se perca a impressão de nitidez, pois a redução afeta também as áuras de contraste geradas pelo processo de aplicação de nitidez de entrada. Como normalmente você reduzirá suas imagens para apresentação em tela (normalmente para um tamanho que possa ser visto por inteiro no monitor, como 640 x 480), a imagem deverá receber uma nova aplicação de nitidez (de saída) em seu novo formato, para compensar a perda de nitidez causada pela redução.

Tudo muito complicado, né? Não, pois os desenvolvedores do Lightroom, entendendo que a nitidez de saída independe das características individuais da foto, deixaram uma ferramenta muito bacana no diálogo de exportação de imagem. Esta ferramenta é que veremos agora.

Para tanto, voltaremos na foto da semana passada.

Autoretrato

Como qualquer outra foto no Lightroom, para ela ser utilizada (seja para postar em um blog, enviar por e-mail, mandar para impressão ou utilizar em outro programa) ela precisa ser exportada, e fazemos isto no menu FILE >> EXPORT.

No diálogo de exportação, que você já deve conhecer, você terá a opção de escolher o tamanho da imagem, sua resolução, e demais opções. Estas opções são importantes, pois o Lightroom fará uso delas para escolher a quantidade correta de aplicação de nitidez de saída. Então neste ponto é ideal que você tenha uma idéia do tamanho final em que a imagem será utilizada, em pixels para o caso de uso em tela, e em cm ou polegadas para impressão.

Porém, quando se trata de aplicação de nitidez de saída, os comandos diretamente que nos importam estão na seção OUTPUT SHAPENING:

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É nesta seção que você opta por aplicar, ou não, nitidez de saída em sua imagem. Você escolhe também o destino da imagem, bem como a quantidade de nitidez de saída. Salvo raras exceções, a opção SHARPEN FOR, que ativa a aplicação, deve estar sempre ligada.

O que seria uma rara exceção: você estar enviando um JPEG para alguém que irá tratar a imagem posteriormente. Como a imagem receberá um novo tratamento, a aplicação de nitidez de saída poderá gerar artefatos que serão enfatizados no novo tratamento. Isto é normal de acontecer quando você trabalha juntamente a um designer ou uma agência, que utilizará sua imagem para montagens ou outros tipos de tratamento. Nestes casos, você enviará para eles a imagem RAW original ou um JPEG exportado sem aplicação de nitidez de saída.

Com a opção SHARPEN FOR ativa, você escolhe o objetivo de sua foto:

  • SCREEN (Tela) – para utilização em tela. É a opção que você utilizará para imagens que serão utilizadas em blogs, sites de compartilhamento de fotos, websites e etc. Das opções, esta é a que aplica menos nitidez de saída;
  • MATTE PAPER (Papel Fosco) – para utilização em impressão. É a opção que você utilizará para imagens que serão impressas em papel fotográfico fosco, papel simples ou ainda couchê sem verniz. Esta aplicação é mais forte que a aplicação da opção SCREEN, e bastante similar à aplicação da próxima opção. As opções Matte e Glossy paper se diferenciam muito sutilmente na força, e mais enfaticamente nas configurações de raio;
  • GLOSSY PAPER (Papel Brilhante) – para utilização em impressão. É a opção que você utilizará para imagens que serão impressas em papel fotográfico brilhante ou outro papel que receba verniz brilhante. Esta aplicação é mais forte que a aplicação da opção SCREEN, e bastante similar à aplicação da próxima opção. As opções Matte e Glossy paper se diferenciam muito sutilmente na força, e mais enfaticamente nas configurações de raio.

Ao lado da opção do tipo de suporte, você tem a opção AMOUNT, com as opções LOW, MEDIUM e HIGH. Estas opções resultam em um maior ou menor nível de nitidez na imagem, e serve para adequar as opções de saída ao gosto pessoal e diferenças sutis de necessidade (exemplo, uma impressora que, por padrão, seja um pouco menos nítida que o ‘normal’).

Feito isto, basta exportar a imagem. Lembrando que o ideal é que a imagem seja exportada já no tamanho correto de uso, pois caso você precise ampliar ou reduzir a imagem para a utilização final, ela certamente perderá parte do efeito de nitidez de entrada que voce passou tanto trabalho configurando.

Abaixo temos um retalho da foto exportado com as opções SCREEN, MATTE e GLOSSY, respectivamente. Perceba as diferenças na nitidez:

Autoretrato

Todas as exportações foram feitas no tamanho da utilização (163 px de largura), e não tiveram a dimensão alterada para o uso aqui no blog. Para fins de teste, exportei o retalho mais uma vez com a opção GLOSSY, mas desta vez com o tamanho original dele, e então reduzi a imagem já exportada para o tamanho de 163px de largura. Perceba como a nitidez se perde, chegando a ter nitidez inferior à imagem exportada com a opção SCREEN no tamanho correto:

Autoretrato

E isto é tudo. Simples não? Se você tiver feito um bom trabalho na aplicação de nitidez de entrada, e opcionalmente na aplicação criativa, a nitidez de saída no Lightroom é um passeio no parque, desde que você saiba em que tamanho final a imagem será utilizada.

Semana que vem veremos como utilizar o Pincél de Ajustes do LR para fazer a Aplicação Criativa de Nitidez, um processo intermediário e opcional no fluxo de trabalho, mas que bem aplicado pode fazer sua imagem saltar aos olhos.

Até lá!

Nitidez de Entrada

11, fevereiro, 2011 Raphael Bonelli 4 comentários

Olá pessoal. Conforme havíamos combinado, hoje vamos ao segundo artigo sobre aplicação de nitidez, onde falaremos sobre a nitidez de entrada. A nitidez de entrada é a primeira passagem de aplicação de nitidez que tem como objetivo reduzir a sensação de suavidade causada pelo filtro anti-aliasing da câmera, porém sem gerar artefatos que possam ser amplificados durante a pós-produção.

A nitidez de entrada está relacionada ao conteúdo da imagem, então sua aplicação dependerá dos elementos fotografados, da nitidez da câmera e das configurações utilizadas no momento da captura.

Como comentado no artigo anterior, as imagens em RAW, desprovidas de aplicação de nitidez na câmera, são suaves por natureza. Por este motivo, o Lightroom faz uma aplicação de nitidez em todas as fotos RAW importadas nele. Então, se você importar uma foto (RAW ou DGN) no Lightroom, perceberá que a configuração da aba DETAIL no módulo DEVELOP está assim: AMOUNT: 25 / RADIUS: 1.0 / DETAIL: 25 / MASKING: 0. Na imagem abaixo você percebe a diferença que esta aplicação faz em uma foto. A seção esquerda da imagem está sem aplicação de nitidez, enquanto a direita apresenta a aplicação padrão do Lightroom.

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Em um programa como o Adobe Photoshop, onde diversas alterações possuem características destrutivas, recomenda-se que a aplicação de nitidez seja feita no ACR (Adobe Camera Raw – módulo do Photoshop que interpreta arquivos RAW) antes de qualquer outra alteração na imagem. No Lightroom temos a vantagem de seus processos não destrutivos, então cabe a você optar por fazer os ajustes de luminosidade e cromáticos na imagem antes dos ajustes de nitidez ou após. Particularmente, recomendo fazer primeiro os ajustes de luminosidade, pois muitas vezes você já conseguirá um ótimo ganho de nitidez com aumento no contraste da imagem, evitando assim exageros no painel DETAIL e surgimento de artefatos.

Para este artigo, partiremos de uma foto ‘autobiográfica’ já tratada no painel BASIC e Tone Curve, e com a aplicação de nitidez padrão do Adobe Lightroom.

Autoretrato

Nos concentraremos nos quatro deslizantes na seção SHARPENING do painel DETAIL, que são os deslizantes responsáveis pelo controle de nitidez da imagem. O painel DETAIL conta ainda com alguns recursos interessantes e outros ‘secretos’ que podem ajudar sua vida. Vejamos o painel DETAIL:

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O primeiro elemento deste painel é uma janela que lhe confere a visualização 100% da imagem. Esta visualização é bastante útil, pois permite que você visualize a imagem inteira no painel principal, o que lhe dá uma visão geral da aplicação, e também a visualização 100%, que lhe permite aferir a aplicação à nível de pixels. Melhor que isto, só tendo dois monitores (a não ser que você tenha a sua disposição o espaço e investimento necessário para ter dois monitores, não recomendo que você sequer experimente usar o Lightroom com 2 monitores… é simplesmente viciante, e uma vez experimentado, é difícil voltar atrás!).

A visualização 100% no painel DETAIL pode ser movimentada, bastante clicar dentro dela e arrastar para poder visualizar outras partes da imagem. Uma outra opção é clicar na “MIRA” no lado esquerdo da visualização. Clicando nela, seu cursor vira uma mira que permite que você selecione a área visualizada clicando diretamente na imagem principal, o que as vezes é muito mais prático do que ficar arrastando a visualização dentro de uma foto muito grande.

Um último recurso desta caixa de visualização é a possibilidade de visualizar a imagem em 200%, caso você queira ir fundo nos pixels da imagem (PixelPunch! Há!). Basta clicar com o botão direito do mouse sobre o quadro de visualização e selecionar o nível de zoom desejado, 1:1 para 100%, e 2:1 para 200%.

Entretanto, nem sempre esta visualização é suficiente para atender as suas necessidades ao aferir a aplicação de nitidez. Então recomendo que você não tenha receio de colocar a visualização principal em 100% sempre que sentir a necessidade.

Deslizantes do Painel Detail

Os deslizantes do painel DETAIL têm uma ordem específica. Claro! Em alguma ordem eles tinham de estar. Entretanto, a aplicação, aferição e correção de nitidez não é linear, e é muito provável que você precise ir e voltar nos comandos até chegar no resultado desejado. É importante ressaltar que todos os outros deslizantes dependem do deslizante AMOUNT, e se ele estiver em zero, os outros não tem efeito sobre a foto e ficam inacessíveis. Então, caso seu AMOUNT esteja em zero, você precisa subi-lo um pouco antes de mexer nos outros deslizantes… 25 é um bom ponto de partida, caso você pergunte.

AMOUNT (Quantidade)

O deslizante AMOUNT é o primeiro do painel DETAIL e é ele quem controla a força da aplicação de nitidez em sua imagem. Na medida em que você aumenta o AMOUNT a imagem fica visivelmente mais nítida e, com o aumento, mais ruidosa. Sua missão aqui é, basicamente, encontrar o ponto onde a nitidez fique boa sem adicionar ruído demais à imagem (isto é mais fácil em fotos com ISO menor do que naquelas com ISO alto). Se você estiver chegando perto do número 100 no AMOUNT em muitas fotos, talvez deva começar a se preocupar com algo que possa estar prejudicando a nitidez em sua imagem (objetiva, firmeza na mão, configuração de velocidade, abertura e ISO, e etc.).

Neste momento, seu objetivo é tornar a imagem agradável para visualização na tela. No artigo anterior mencionei que a nitidez ideal para imagens impressas sempre fica com a aparência de “exageradamente nítida” na tela, porém esta aplicação para impressão será feita na aplicação de nitidez de saída, não aqui.

Abaixo você vê a imagem com AMOUNT 0, no centro com AMOUNT 45 e no lado direito com AMOUNT 150 (o máximo do LR). Considerei o 45 o ideal para esta imagem, embora isto possa ser influenciado pelo gosto pessoal e você possa chegar a cerca de 70, nesta imagem, sem grandes problemas.

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Se podemos chegar até 70 sem grandes adições de ruído, por que não fazê-lo? Porque nem sempre o que desejamos é atingir o máximo de nitidez. Cada foto é uma foto, e possui níveis de nitidez que podem torná-la mais ou menos interessante. Quando se trata de uma foto arquitetônica, uma textura, objetos mecânicos e etc, muitas vezes uma aplicação exagerada de nitidez tende a dar destaque à foto, enquanto imagens de tecido, retratos de pessoas e outras imagens de baixa frequência (bastante áreas suaves) tendem a ficar mais agradável com aplicações mais suaves de nitidez.

Então temos uma regra? Retratos com AMOUNT baixo e arquitetura com AMOUNT alto? Nem sempre. Abaixo temos um exemplo de como um AMOUNT alto somado à uma configuração alta de RADIUS podem ajudar a destacar as marcas do tempo no rosto de uma pessoa idosa.

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Falando em RADIUS, ele é nosso próximo deslizante. Porém, antes de falarmos nele, há um truque secreto do Lightroom. Se você manter pressionada a tecla ALT enquanto clica e arrasta o deslizante AMOUNT, o LR converte a visualização principal para tons de cinza, o que permite a você aferir a aplicação de nitidez sem a influência das cores da imagem. Embora talvez seja a menos importante das aplicações da tecla ALT, ela é útil em algumas fotos com fortes cores e figuras geométricas.

RADIUS (Raio)

Lembra quando falei no artigo anterior que a aplicação de nitidez se dava nas “arestas” da imagem? E que estas arestas eram as linhas onde se encontravam áreas com níveis de cor e luminosidade diferentes? O deslizante RADIUS controla quantos pixels em torno destas arestas são inclusos no efeito da nitidez.

Quanto mais baixa a configuração RADIUS (min. 0.5), mais o efeito de nitidez se concentrará nas arestas, destacando assim detalhes pequenos. Na medida em que você aumenta o RADIUS (max. 3), o LR aplica a nitidez em uma área maior em torno das arestas.

O retrato que estamos utilizando em este artigo é considerado uma imagem de baixa frequência. Ou seja, é uma imagem com grandes áreas de transição suave e detalhes sutis. Em uma imagem como esta devemos utilizar um RADIUS mais alto, de modo que a transição entre as áreas que recebem a aplicação de nitidez e as que não recebam ficam mais sutis, e a aplicação mais homogênea em toda a imagem. Abaixo vemos a imagem com aplicação de RADIUS 0.5, depois 1.4 e então 3.0. O 3.0 serve apenas de exemplo, você raramente deverá passar de 1.7 no deslizante RADIUS, pois a partir daí o efeito de nitidez de uma aresta começa a afetar as outras causando artefatos visíveis.

Aferir a aplicação do deslizante RADIUS é um pouco difícil, e por isto o LR tem um segredo que lhe será muito útil nesta aplicação. Se você manter pressionado a tecla ALT enquanto clica e arrasta o deslizante o LR converte a imagem da visualização principal em uma imagem em tons de cinza. A maior parte da imagem fica em um tom médio de cinza, enquanto as arestas onde o efeito será aplicado recebe uma tonalidade contrastante que se amplia na medida em que o efeito está se expandindo em torno das arestas.

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Quando você tem uma imagem de alta frequência (prédios com muitas janelas, grama, árvores com muitas folhas e etc.), a aplicação de RADIUS maior que 1.0 pode causar uma interferência entre as arestas, prejudicando a visualização de cada elemento como algo individual. Por isto neste tipo de imagem recomendamos RADIUS abaixo de 1.0. Normalmente 0.8 é uma boa medida, pois abaixo disto o efeito da nitidez pode ficar próximo ao imperceptível.

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Na imagem acima podemos visualizar grama com aplicação de nitidez com RADIUS em 0.5, 0.8 e 3.0. Perceba como a aplicação em 3.0 aparenta uma perda de nitidez, na medida em que perde-se um pouco a nitidez nas arestas que individualizam cada lâmina de grama.

Além destes dois comandos, o LR ainda conta com dois comandos que servem para lhe dar mais controle na aplicação da nitidez, como veremos a seguir.

DETAIL (Detalhe)

Pense no deslizante DETAIL como uma espécie de extensão do RADIUS… só que enquanto o RADIUS define a aplicação da nitidez nas áreas amplas, o DETAIL controla aplicação em pequenas arestas. Segurando a tecla ALT, você tem uma visualização similar a do RADIUS, onde você pode controlar a aplicação da nitidez nas áreas de detalhes da imagem. O DETAIL é ótimo para controlar a nitidez em texturas de superfícies.

Ao contrário do funcionamento do RADIUS, uma imagem de baixa frequência como a que estamos utilizando pede por uma configuração baixa de DETAIL, enquanto uma imagem de alta frequência pediria uma configuração alta. O cuidado que se deve ter ao aumentar o DETAIL é evitar que a nitidez aplicada na textura dos objetos atrapalhe a visualização das arestas que compõe a forma do objeto em si.

Na foto que estamos utilizando o DETAIL ficou em 15, onde ele serve para destacar os detalhes nos lábio sem enfatizar demais os poros e marcas na pele. Marcas que poderemos controlar com o deslizante MASKING, outro controle importante para colocar sua aplicação de nitidez em rédeas curtas.

MASKING (Máscara)

O controle MASKING permite definir o quão contrastada uma área precisa ser para ser considerada uma aresta. Em configurações baixas, qualquer diferença de cor é considerada uma aresta, fazendo com toda a imagem recebe aumento de nitidez, enquanto em configurações altas a nitidez é aplicada apenas naquelas arestas com maior contraste de cor/luminosidade.

Este controle permite que você aplique a nitidez nos contornos de um rosto e impeça a aplicação na textura da pele, suavizando-a. Com o uso correto dele você pode suavizar gradientes, controlar o ruído em um céu azul, ao mesmo tempo em que mantém a aplicação de nitidez naquelas arestas que definem a forma dos objetos.

Ajustando o deslizante com a tecla ALT pressionada, o LR lhe dá uma imagem em preto e branco onde o branco indica onde a nitidez está sendo aplicada. Com isto, você pode controlar a aplicação. Em nossa imagem, precisamos ir deslocando o deslizante para a direita até que a aplicação esteja definida apenas nas arestas que desejamos. Ou seja, precisamos destacar apenas as arestas que definem as formas do rosto, nariz e olhos (incluindo o óculos), evitando as arestas que formam a textura da pele.

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Fluxo de Trabalho

Como incluir isto tudo no seu fluxo de trabalho? Minha recomendação é que você crie PRESETS de aplicação de nitidez. Dois ou três são suficientes (eu uso apenas dois), de preferência um para baixa frequência (retratos e etc.) e outro para alta frequência (arquitetura e etc.). Assim você tem um ponto de partida que pode ser aplicado já no início do tratamento, para então, depois de fazer os ajustes de luminosidade e cor, fazer pequenos ajustes de nitidez até chegar ao resultado desejado (principalmente no controle MASKING, que você precisará ajustar em basicamente todas as imagens).

Meus PRESETS são:

Alta Frequência – AMOUNT 40 / RADIUS 0.8 / DETAIL 35 / MASKING 0

Baixa Frequência – AMOUNT 35 / RADIUS 1.4 / DETAIL 15 / MASKING 60

Lembre-se de, na hora de criar o PRESET, selecionar apenas os comandos de nitidez, de modo que eles possam ser aplicados sem interferir no restante do tratamento de sua imagem.

Abaixo segue a imagem com a aplicação de nitidez (AMOUNT 50 / RADIUS 1.5 / DETAIL 15 / MASKING 80). A imagem recebeu também a aplicação de nitidez de saída, para que se mantivesse nítida com a redução para aplicação no blog. Nitidez de saída será o assunto de nosso próximo artigo (no primeiro artigo falamos também da aplicação criativa de nitidez, que acontece entre a aplicação de entrada e a aplicação de saída, durante a pós-produção – porém, como é uma aplicação opcional, será deixada para o último artigo sobre nitidez).

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Até semana que vem.

Aplicação de Nitidez no Fluxo de Trabalho

4, fevereiro, 2011 Raphael Bonelli 3 comentários

Falar de aplicação de nitidez, o famoso ‘Unsharp Mask’, é uma ação que sempre vem acompanhada do risco de tocar em tabus e suscetibilidades. Isto acontece por uma série de fatos que são inerentes ao funcionamento da aplicação de nitidez na fotografia digital:

  • Alguns puristas consideram a aplicação de nitidez uma espécie de heresia por ignorarem dois fatores. Primeiro, a aplicação de nitidez não é um processo novo, característico da fotografia digital, e sim uma técnica que data da fotografia em película e da sala escura, e segundo, atributos inerentes da fotografia digital exigem a aplicação de nitidez;
  • A aplicação do filtros do tipo ‘Unsharp Mask’ é altamente destrutiva. Isto é, uma vez aplicada em uma fotografia, qualquer ação subsequente tende exagerar os efeitos (e defeitos, chamados de artefatos) causados pelo filtro. Por causa disto, muitas pessoas acreditam que a aplicação de nitidez deve sempre ser o último passo no fluxo de tratamento de imagem;
  • Embora a aplicação de nitidez seja importante também para visualização de imagens em tela, ela normalmente é discutida em fluxos de trabalho que envolvem impressão. Quando se trata a imagem em tela para impressão, a relação do que se vê na tela é muito distante daquilo que será impresso;
  • Você nunca deve depender apenas do computador para obter a melhor nitidez em suas fotos. O computador ajuda, mas a nitidez da sua foto vai depender da qualidade de suas objetivas, firmeza de sua mão, configuração de abertura, velocidade e sensibilidade de sua câmera, e até mesmo do bom e velho tripé.

Diferentemente do que muita gente imagina, a ‘magia digital’ executada por filtros de aplicação de nitidez em softwares de tratamento de imagem nada mais é que uma simulação de um efeito concebido em sala escura. Sem entrar nas especificidades do efeito, que envolvia sobreposição de negativos, desfoque e tudo mais, a aplicação de nitidez padrão, conhecida como “máscara de desfoque”, aumenta o contraste nas regiões de bordas da fotografia, regiões estas causadas por diferenças de contraste previamente existentes na imagem. Este aumento de contraste, quando aplicado com sensatez e critério, torna-se imperceptível, servindo apenas para aumentar a sensação de nitidez da imagem. Quando aplicado com exagero, gera auras e artefatos visíveis que podem estragar uma imagem além da salvação.

Na figura abaixo você pode ver 3 imagens na primeira fileira. A primeira imagem está sem aplicação de nitidez, a segunda recebeu uma aplicação sutil do efeito, e a terceira uma aplicação bastante exagerada.

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Na fileira de baixo vemos uma ampliação em detalhe da segunda e terceira imagem. Na imagem da esquerda, vemos na palavra ‘zero’ a sutil borda mais escura gerada pela aplicação de nitidez. É exatamente era ‘borda’ que, quase imperceptível à distância, causa a ilusão da nitidez. Na imagem da direita vemos como a aplicação exagerada gerou bordas extremamente grossas, inclusive na marca da Coca-Cola, que são visíveis na imagem menos. Este efeito visível causa distorções nas cores e a geração de artefatos que estragam a imagem.

Agora que temos uma ideia bem básica de como a aplicação de nitidez funciona (veremos isto com mais detalhes quando falarmos dos controles de nitidez no Lightroom), temos de compreender onde a nitidez entra em nosso fluxo de trabalho. Como falei no início do artigo, muita gente acredita que a aplicação de nitidez deve ser sempre o último passo no fluxo de tratamento de imagem. Veremos agora que não é sempre assim.

Dois estudiosos da aplicação digital de nitidez, Bruce Fraser e Jeff Schewe, defendem a divisão do processo de aumento de nitidez em imagem digital em três estágios. Aplicação de nitidez de entrada, aplicação criativa de nitidez e aplicação de nitidez de saída. Destes estágios, falaremos de dois hoje, e deixaremos a aplicação criativa de nitidez para um próximo artigo. Você vai descobrir também que o Lightroom é a ferramenta perfeita para se trabalhar com este esquema.

O objetivo deste artigo é abrir a discussão sobre este sistema de aplicação de três etapas e explicar o papel destas três etapas no fluxo de trabalho. Na semana que vem vamos diretamente ao Lightroom para tratar da Nitidez de Entrada, e nas semanas seguintes a etapa de nitidez criativa e nitidez de saída também receberão seus artigos exclusivos e sua aplicação no Lightroom. Por hoje, especificaremos as diferenças destas etapas.

Nitidez de Entrada

Se você conhece intimamente sua câmera digital, deve ter ouvido falar em filtro anti-aliasing (ou filtro AA). O filtro AA é uma fina película de desfoque que fica sobre o sensor e serve para desfocar sutilmente a imagem antes de ela ser capturada pelo sensor. Se você removesse este filtro, as imagens de sua câmera ficariam serrilhadas, com todas as linhas que não fossem perfeitamente horizontais ou verticais aparecendo como ‘escadinhas’. Por causa deste filtro, toda imagem digital exige aplicação de nitidez posterior à captura.

Este efeito é perceptível especialmente quando se passa da fotografia em JPEG para a fotografia em RAW. Por padrão, toda câmera aplica um aumento de nitidez quando a imagem é convertida de RAW (os dados obtidos pelo sensor) para JPEG, mesmo que a configuração de nitidez da câmera esteja em zero. Como no arquivo RAW esta aplicação de nitidez não acontece, é normal que os fotógrafos, ao enveredarem pelo rumo do RAW, fiquem com a sensação de que suas fotos estejam menos nítidas do que estavam quando fotografava em JPEG. Na verdade, elas estão mesmo.

Como visto anteriormente, a aplicação de nitidez causa artefatos que podem ser exagerados durante o tratamento posterior da imagem. Embora a foto que sai em JPEG da câmera seja visivelmente mais nítida, ela prejudica o tratamento de imagem posterior, enquanto a foto em RAW permite que o aumento de nitidez seja aplicado sem prejudicar a qualidade do tratamento.

Chamamos de nitidez de entrada a aplicação de nitidez inicial na imagem, aplicação esta que visa reduzir os efeitos do filtro AA e destacar as qualidades da foto. Esta aplicação de nitidez deve ser sutil, estar de acordo com o conteúdo da imagem (uma foto de um bebê exige um tratamento de nitidez daquele aplicado a uma foto de edifícios) e de preferência ser não destrutivo. É neste ponto que o Lightroom, com o uso de arquivos RAW (ou DNG), supera a maioria das ferramentas.

  • Está relacionada ao conteúdo da imagem. Imagens de baixa frequência (poucos detalhes) recebem aplicações de nitidez com parâmetros diferentes daquelas com alta frequência (muitos detalhes). Imagens com bordas suaves (como retratos) recebem configurações diferentes de imagens com bordas duras (prédios).

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  • Na maioria dos softwares, deve acontecer no início do processo de tratamento, de modo que outros recursos não sejam equivocadamente utilizados para aumentar a nitidez (contraste, saturação e etc).
  • No caso do Lightroom, devido a sua natureza não-destrutiva, pode ser trabalhada durante qualquer momento do processo. É provável que durante o tratamento você vá ao painel DETAIL mais de uma vez, para ajustá-lo conforme as alterações em outros fatores venham a alterar a nitidez.
  • Visa tornar a imagem nítida e agradável à visão no monitor bem calibrado, e sem gerar artefatos que possam ser exagerados durante o tratamento.
  • Embora os artigos seguintes venham a se dedicar exclusivamente à fotografia digital e ao Lightroom, a nitidez de entrada também deve levar em consideração a mídia utilizada. Configurações e procedimentos diferentes são utilizados para imagens vindas de câmeras digitais, scanner de material fotográfico, slide, negativo ou impressão com retícula.

Aplicação Criativa de Nitidez

A aplicação criativa de nitidez é uma etapa opcional do processo, e embora ela aconteça entre a etapa de entrada e a etapa de saída, ela será nosso quarto artigo sobre nitidez. A aplicação criativa de nitidez visa aumentar e reduzir a nitidez de áreas específicas da imagem, destacando-as. O tipo mais comum de aplicação criativa de nitidez acontece em retratos, na suavização da pele e aumento da nitidez em área como os lábios, olhos e cabelo.

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  • Diferente da aplicação de entrada e de saída, a aplicação criativa é feita de modo seletivo na imagem, afetando apenas áreas específicas.
  • Sutil e quase imperceptível, a aplicação criativa de nitidez normalmente provoca mais a ‘sensação’ do que realmente uma percepção visual da nitidez. Exageros podem criar fotos visualmente manipuladas.
  • Ajuda a similar ou enfatizar efeitos fotográficos, como bokeh ou foco seletivo.
  • No Lightroom, é trabalhada com as ferramentas de Pincéis de Ajustes.

    Nitidez de Saída

    A nitidez de saída é o último passo no tratamento da imagem. O objetivo dela é preparar a imagem para a mídia na qual ela será utilizada: impressão jato de tinta, impressão fotográfica, tela de computador e etc. É uma das partes mais complexas da aplicação de nitidez, pois você trabalha na tela com o objetivo de ‘visualizar’ a aplicação em outra mídia, e o Lightroom basicamente automatiza esta etapa para você.

  • É dependente da mídia final. Configurações diferentes atendem diferentes mídias: papel fotográfico brilhante, papel fotográfico fosco, impressão jato de tinta, tela de computador, cada um exige uma configuração diferente.
  • É dependente do tamanho final da imagem. Deve sempre ser executada na imagem no tamanho final em que ela será utilizada. Se a imagem for ampliada após a aplicação, auras e artefatos podem ficar visíveis e a imagem borrada. Se a imagem for reduzida após a aplicação, o efeito da aplicação pode simplesmente desaparecer.
  • Independe do conteúdo da imagem. Independentemente da imagem em questão, a mesma configuração pode ser utilizada para qualquer imagem que tenha recebido a aplicação correta de nitidez de entrada e que tenha o mesmo destino de saída. Ex.: se você executou corretamente a aplicação de nitidez de entrada (e/ou nitidez criativa), e o destino da imagem será impressão fotográfica, a mesma configuração e processo vale para um retrato ou uma paisagem urbana.
  • Pode ser automatizada. Através de ACTIONS no Photoshop, ou através do painel EXPORTAR no Adobe Lightroom.
  • Quando o objetivo é a mídia impressa, o resultado que lhe dará uma boa nitidez de impressão sempre parecerá exageradamente nítido quando visto em 100% de zoom na tela do computador.

Este último passo é o mais técnica e mais simples de ser aplicado no Lightroom. Com base na mídia que você escolher (impressão fosca, brilho ou tela) e no tamanho da imagem (definido também na janela de exportação), o Lightroom fará os cálculos e aplicará a nitidez necessária para um bom resultado.

Semana que vem tem mais!

Por enquanto é isto. Agora você entendeu parte de como funciona o processo de aplicação de nitidez em três etapas (sendo uma opcional), e qual o objetivo de cada etapa. A partir da semana que vem veremos cada etapa de maneira independente (na ordem, nitidez de entrada, nitidez de saída, e depois a opcional aplicação criativa de nitidez) aplicada ao fluxo de trabalho no Lightroom, com explicação e truques dos comandos e ferramentas.

Vejo vocês na semana que vem, e espero que tenham gostado.

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