Planos de Enquadramento – Parte 3

5, dezembro, 2011 Marcelo Daros 4 comentários

Olá para todo mundo! Dando seguimento a série de artigos sobre planos de enquadramento, hoje falaremos sobre Plano Conjunto, Plano Americano e Médio Primeiro Plano.

Para quem ainda não leu, recomendo a leitura da primeira e da segunda parte desta série.

Vamos começando então!

O Plano Conjunto tem como característica apresentar a personagem para o público. Podemos dizer que o Plano Conjunto é a primeira impressão que teremos de nossa personagem. A maneira como anda, como se veste, seu gestual. De forma mais clara, abaixo segue um exemplo de um Plano Conjunto.

Imagem em Plano Conjunto

Plano Conjunto - O Diabo Veste Prada

Muitos podem confundir o Plano Conjunto com o Plano Geral, mas a principal diferença é que no Plano Geral, o destaque maior está no ambiente, o que se destaca é o lugar em que a personagem está inserida, enquanto que no Plano Conjunto é a personagem que está em destaque. Utilizando novamente as linhas da Regra dos Terços:

Plano Conjunto - Regra dos Terços

A mesa em foco!

O centro de atenção da cena está na mesa da Miranda (Meryl Streep). E não por acaso, a ideia é justamente dar destaque para o trabalho e a importância da personagem no filme. Uma mesa grande com muitos papeis. Facilmente você identificada que quem tem mais “poder” na cena é a personagem da Meryl Streep.

Entramos agora no Plano Americano. Pelo próprio nome, ele foi criado em Holywood, mas especificamente nos filmes de Velho Oeste. Mas por quê? Simples. Qual uma das principais ações que ocorrem em filmes de Velho Oeste? Os duelos. No Plano Conjunto, muitas informações gestuais e faciais acabavam se perdendo. Como resolver? Simples, basta analisar a imagem abaixo:

Imagem do Plano Americano

Plano Americano

Repare que o enquadramento corta a personagem um pouco acima do joelho. Isso para que, além de ressaltar os gestuais e as expressões faciais, as armas dos cowboys se destacassem também. Nem me dou ao trabalho que colocar as linhas da regra dos terços, já que claramente vemos que a imagem está centralizada. O que também não chega a ser um problema, dependendo do caso.

Por fim e não menos importante, temos o Médio Primeiro Plano. Mais comumente conhecido como o plano de enquadramento dos telejornais. Neste plano a ideia é dar foco nas expressões gestuais e faciais da personagem, percebidas com bastantes detalhes. Segue o exemplo abaixo:

Imagem do Médio Primeiro Plano

Médio Primeiro Plano - Larry King

Nosso amigo Larry King está em Médio Primeiro Plano. Aliás, este é um exemplo em que a imagem centralizada foi bem usada. A ideia é dar foco na entrevista, chamando bastante a atenção do espectador. Mas o risco aqui é que o programa tem tudo para se tornar muito cansativo. E aí que surge a criatividade do diretor em descobrir como fazer para que isso não aconteça. Sabe como? O microfone.

O simples fato do microfone estar colocado em um ponto estratégico da cena, já cria uma compensação visual, que deixa o lado direito “mais cheio” que o lado esquerdo, dessa forma a imagem torna-se muito mais atrativa e menos densa do que se o microfone não estivesse lá. Veja como um simples elemento para ajudar absurdamente a sua composição de cena!

Por hoje vamos ficando por aqui! Semana que vem a quarta e última parte dos artigos sobre planos de enquadramento.

Até lá!

Planos de Enquadramento – Parte 2

24, novembro, 2011 Marcelo Daros Sem comentários

Demorou um pouco, mas finalmente saiu!

Antes de mais nada, recomendo, para quem não leu, que leia a Primeira Parte da série sobre planos de enquadramento.

Nesse artigo, irei falar sobre dois tipos de plano de enquadramento. O Plano Geral Concentrado e do Plano Geral.

Ambos os planos são bem abertos, ambientando muito bem o espectador. A diferença entre eles é que o Plano Geral Concentrado cria a ambientação do lugar, indicar se estamos em uma cidade grande ou pequena, em uma vila, no meio da selva. Já o Plano Geral vai ambientar a personagem, onde ela mora, em que trabalha, em que região vive.

Vamos as explicações mais detalhadas. Abaixo você encontra um exemplo de um Plano Geral Concentrado:

Imagem do Plano Geral Concentrado

Plano Geral Concentrado (crédito: Londres 2012/Divulgação)

Perceba que neste plano, conseguimos nos ambientar muito bem. Já sabemos que trata-se de uma cidade grande, pelos prédios ao fundo e que, pelo maior destaque da foto ser o estádio e a outra estrutura branca, podemos inclusive imaginar que nossa personagem está trabalhando nas obras dessas duas estruturas. Mas por que o destaque da foto são essas duas estruturas? Basta lembrar do artigo anterior, sobre a regra dos terços. Veja como fica a imagem após aplicar as linhas:

 

Plano Geral Concentrado com as linhas da regra dos terços

Repare nos pontos de intersecção das linhas.

Veja que o estádio está “tocando” dois pontos de intersecção e que a estrutura branca está bem em cima de um. Dessa forma, assim que olhamos a imagem, nossos olhos nos levam para essas duas estruturas.

Vamos ao Plano Geral. Este serve para ambientar nossa personagem. Nos dizer, por exemplo, em que ela trabalha ou onde ela mora. Veja na imagem abaixo um exemplo de Plano Geral:

 

Imagem do filme Kill Bill - Volume 1

Plano Geral (Kill Bill - Volume 1)

Vamos lá. Pela imagem já concluímos que nossas personagens estão em um local deserto, por só haver a igreja a vista. Trata-se de um lugar bem seco, pelo tipo das árvores e do solo. Já sabemos que nossas personagens, ou são policiais, ou assassinos, ou mercenários, pelo tipo de roupa que usam e por estarem com armas, e podemos imaginar que irão realizar algum tipo de massacre e que esse massacre ocorrerá na igreja, por todas olharem para ela. Está é a função do Plano Geral, em uma rápida olhada, ambientamos nossas personagens e conseguimos pelo menos ter ideia do são e o que fazem.

A título de curiosidade, aplicando as linhas da regra dos terços, teremos:

 

Plano Geral com a regra dos terços

Veja que as personagens encontram-se nas intersecções inferiores.

Repare que nessa composição, o Diretor de Fotografia não colocou os elementos nos pontos de intersecção, mas em cima da linha horizontal inferior. Com isso, você consegue o mesmo efeito de destaque, nossos olhos são direcionados para as personagens. Ou seja, podemos usar a regra dos terços colocando os elementos nos pontos de intersecção ou mesmo utilizando as próprias linhas!

Terminamos por aqui pessoal! Semana que vem irei falar sobre Plano Conjunto, Plano Americano e Médio Primeiro Plano.

Até lá!

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